quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
sábado, 19 de janeiro de 2008
O Colar da Pomba: II - Sobre Apaixonar-se Durante o Sono
Mas continuemos com a tradução d'O Colar da Pomba:
II - SOBRE APAIXONAR-SE DURANTE O SONO
CADA caso de amor precisa necessariamente de uma causa que lhe origine. Começarei com a mais improvável das causas do amor, de forma que o discurso possa prosseguir na ordem devida, iniciando como sempre através do exemplo mais simples e fácil. O amor é de fato causado por coisas tão estranhas, que eu não as mencionaria se não as tivesse observado eu mesmo.
Aqui está uma situação da minha própria experiência. Um dia visitei nosso amigo Abu’l-Sari ‘Ammar Ibn Zyiad, o liberto de al-Mu’aiyad e encontrei-o afundado em pensamentos e muito preocupado. Lhe perguntei o que havia de errado; por algum tempo ele recusou-se a explicar, mas então disse “Uma coisa extraordinária me aconteceu, de um tipo desconhecido para mim.” “O que foi?” perguntei. “Noite passada”, ele respondeu, “vi em sonho uma linda dama, e ao acordar descobri ter perdido completamente meu coração para ela, que estava loucamente apaixonado por ela. Agora estou na mais difícil das situações com essa paixão que nutri por ela.” Ele continuou amuado e aflito por mais de um mês; nada lhe alegrava, tão profunda era sua emoção. Por fim repreendi-o, dizendo “É um erro imenso ocupar sua alma com algo irreal, e apegar sua fantasia a um ser inexistente. Você sabe quem é ela?” “Não, em nome de Alá!” ele respondeu. “De fato”, prossegui, “tens muito pouco juízo, e teu julgamento deve estar comprometido se estás de fato apaixonado por uma pessoa que nunca viste, ainda mais por alguém que nunca foi criado e simplesmente não existe no mundo. Se tivesses apaixonado-se por uma dessas figuras pintadas nas paredes dos banhos públicos eu acharia mais fácil desculpar-te.” Assim continuei, até que enfim através de um grande esforço ele esqueceu seu problema. Agora, minha opinião é que seu caso é explicável como pura fantasia da mente, uma ilusão de pesadelo, e cai na categoria de pensamento como satisfação de um desejo e alucinação mental. Eu expressei essa situação em verso.
Ah, quem saberá quem ela era,
E como andando pela noite ia!
Seria ela a lua que me lumiava,
Ou a luz do sol que se erguia?
Da mente uma mera conjectura
Por cogitação trazida?
Uma imagem que a alma desenha,
Pelo pensamento revelada?
Uma figura que meu espírito pintou
Para ter minha esperança realizada,
E que minha visão imaginou
Perceber na carne corporificada?
Ou não era esse o caso,
Mas apenas um acidente
A mim trazido pelo acaso
Com intenção malevolente?
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Todo castigo pra corno é pouco

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Próximo!
1. O blog de um francês dedicado a pregar o ódio ao Islã. Caí várias vezes nesse. Numa das vezes logo a partir do meu blog, o que me deixou envergonhado por estar perto desse cara, mesmo que isso não dependa da minha vontade. Acho impressionante um sujeito ser cristão e não entender a mensagem essencial de Cristo, que é uma mensagem de amor: perdoar, dar a outra face, amar o próprio inimigo. Eu que não sou cristão consigo entender e admirar isso.
2. Vários sites fake que servem para colocar links de putaria. Triste. Nada contra a putaria (D. H. Lawrence vem à cabeça), mas preferia que fosse um blog de putaria verdadeiro e honesto. Do jeito que está, é um bando de aproveitadores sem criatividade explorando uma ferramenta livre para fazer publicidade barata e de mau gosto.
3. Gente que não deixa o botão "Próximo blog" e mela o jogo. Bléééé.
Malditas piranhas!
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
O Colar da Pomba: IV - Sobre o Amor à Primeira Vista
SOBRE O AMOR À PRIMEIRA VISTA
FREQÜENTEMENTE ocorre do Amor achegar-se ao coração como resultado de um único olhar. Essa variedade do Amor é dividida em duas categorias.
A primeira categoria opõe-se àquela que recém descrevemos, sendo aquela na qual um homem perde a cabeça apaixonado por uma mera imagem, sem saber quem a pessoa é, qual seu nome ou onde mora.
Nosso amigo Abu Bakr Muhammad Ibn Ahmad Ibn Ishaq me informou, citando uma fonte de confiança cujo nome me escapa – embora eu creia que fosse o Juiz Ibn al-Hadhadha’ – que o poeta Yusuf Ibn Harun, mais conhecido como al-Ramadi, estava um dia passando pelo Portão dos Perfumistas em Córdova, um lugar onde as mulheres iam para se encontrar, quando espiou uma jovem garota que, como disse, “capturou inteiramente meu coração, de maneira que todo o meu corpo foi penetrado de amor por ela”. Ele então abandonou o caminho da mesquita e passou a segui-la enquanto ela ia na direção da ponte, que então cruzou e dirigiu-se ao lugar conhecido como al-Rabad. Quando ela alcançou os mausoléus dos Banu Marwan (Deus tenha piedade de suas almas!) que estão erigidos sobre as suas sepulturas no cemitério de al-Rabad além do rio, observou que ele andava separadamente das outras pessoas e parecia notar apenas a ela. Caminhou então até ele e disse “Por quê andas atrás de mim?” Ele revelou quão consumido estava por ela, que replicou “Pare com isso! Não me exponha à vergonha; você não tem chance de atingir seu objetivo, e não existe forma de gratificar o seu desejo.” Ele respondeu “Estou satisfeito meramente por olhar a ti”. “Isso lhe é permitido”, ela replicou. Então ele perguntou a ela “Minha dama, és uma mulher livre ou uma escrava?” “Sou uma escrava”, ela respondeu.” “E qual é seu nome?” ele questionou. “Khalwa”, ela disse. “E a quem você pertence?” ele perguntou em seguida. A isso ela retorquiu, “Em nome de Alá, é mais fácil você saber o quê habita o Sétimo Céu do que a resposta dessa pergunta. Não procures o impossível!” “Minha dama”, ele implorou, “Onde posso vê-la novamente?” “Onde me viste hoje”, ela replicou, “à mesma hora, toda sexta-feira.” Então ela adicionou, “Você irá embora agora, ou posso ir eu?” “Por favor vá, com a proteção de Alá!” ele respondeu. Então ela partiu na direção da ponte; e ele não pôde seguí-la, pois ela permaneceu atenta para ver se ele a acompanhava ou não. Quando ela passou o portão da ponte, ele foi atrás dela mas não encontrou nenhum traço. “E por Alá”, disse Abu ‘Umar (querendo dizer, Yusuf Ibn Harun), lembrando-se da história de sua aventura, “passei a frequentar o Portão dos Perfumistas e al-Rabad o tempo todo dali em diante, mas nunca tive nenhuma outra notícia dela. Não sei se os céus a devoraram, o se a terra a engoliu; e o sentimento que tenho em meu coração é mais incandescente que carvões em brasa.” Essa é a Khalwa cujo nome ele celebra em sua poesia de amor. Posteriormente ele teve notícias dela após viajar a Saragossa à sua procura, mas essa é uma longa história.
Esse tipo de coisa acontece com mais freqüência que se imagina; Escrevi um poema sobre esse tema, que cito aqui.
Contra meu coração meu olho urdiu
À minha mente dor e angústia vil,
Qual o pecado que para expiar
Com lágrimas me precisei lavar?
Como pode meu olho encarar
Essas lágrimas que vêm me justiçar,
Vendo que em sua funda torrente
Meu olho triste se afunda totalmente?
Como nunca lhe pude contemplar
Não a reconhecerei quando chegar;
A única coisa que dela sei
Foi o primeiro olhar que lhe mirei.
A segunda categoria do Amor em discussão agora é oposta àquela que descreveremos no capítulo posterior, se Alá assim desejar. Esta se refere ao enamoramento à primeira vista com uma jovem cujo nome, local de moradia e origem são conhecidos. A diferença aqui é a rapidez ou lentidão através da qual o affair acontece. Quando um homem se apaixona à primeira vista, criando uma afeição súbita como resultado de um olhar passageiro, isso prova que ele é volúvel, e proclama que irá também repentinamente esquecer sua aventura romântica; testifica sua volatilidade e inconstância. Mas isso é assim com todas as coisas; quanto mais rápido crescem, mais rápido decaem; enquanto por outro lado o que lentamente se produz lentamente se desfruta.
Um jovem que conheço, o filho de um lojista, foi um dia observado por uma jovem de nobre estirpe, alta posição e estrito isolamento; ela o viu passando, enquanto espiava de sua casa, e afeiçoou-se a ele, sendo correspondida. Eles trocaram por algum tempo cartas, mais delicadas que o fio de uma fina espada; e se não fosse pelo fato de que não é meu propósito nesse ensaio expor tais artifícios e mencionar tais subterfúgios, eu poderia ter descrito aqui coisas tais que estou certo confundiriam os mais argutos e surpreenderiam os mais inteligentes dos homens. Rogo para que Deus em sua grande generosidade estenda sobre todos nós bons Muçulmanos a cortina de Sua compaixão. Ela sem dúvida já basta para nossas necessidades.
domingo, 2 de dezembro de 2007
O Colar da Pomba

Li um texto muito lindo hoje, que achei por acaso navegando por aí. Está no seguinte endereço: http://www.etymonline.com/columns/triskelion.htm. Se alguém não ler em inglês e desejar que eu traduza, é só pedir.
Para quem leu e se interessou, o seguinte link contém uma tradução para o inglês d'O Colar da Pomba: http://www.muslimphilosophy.com/hazm/dove/index.html.
Não existe tradução para o português. Estou brincando com a idéia de traduzir uns pedaços.
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Natalie
Era um rosto que a escuridão poderia assassinar
num instante
uma face fácil de ferir
com riso ou luz
"À noite pensamos de outra forma"
disse-me ela certa vez
recostando-se languidamente
E citaria Cocteau
"Sinto que há um anjo em mim" diria
"que constantemente escandalizo"
Então sorriria enigmática
acenderia o cigarro para mim
entre suspiros
e erguendo-se alongaria
sua delicada anatomia
deixando cair uma meia